Hoje ao jantar calhou em conversa falarmos do X, o amigo do Nuno, e alguém teceu o comentário de que X não era um grande "comunicador", falou-se das suas eventuais limitações, ao que o Nuno discordou e, de modo eloquente, nos mostrou, através da sua Teoria do Puzzle, que por vezes é uma questão de "visibilidade", ou de encaixe, para nos seguirmos pela alegoria...
"Eu acho que, às vezes, as pessoas são como peças de puzzle, há aquelas que parecem fazer todo o sentido, tentamos colocá-las e percebemos, então, que não encaixam, forçamos um pouco, deforma-mo-las até... Mas não encaixam!
E há peças cujo o significado e beleza só nos são visíveis depois de estarem no seu respectivo lugar, tendo permanecendo até aí completamente indecifráveis (ou mesmo ignoradas) para nós."
Esta imagem do Nuno é, por si só, de uma rara beleza, e creio até, de uma rara "eficácia".
E porque o O'Neill nos fez companhia nessa noite, um poema que o Luís partilhou, também a título de pertinência...:
Hah!
Há a mulher que me ama e eu não amo.
Há as mulheres que me acamam e eu acamo.
Há a mulher que eu amo e não me ama nem acama.
Ah essa mulher!
Tu eras mais feliz,Apollinaire.
montado num obus,voavas à mulher.
Tu foste mais feliz,meu artilheiro.
tiveste amor e guerra.
Eu andei pra marinheiro,
mas pus óculos e fiquei em terra.
Upa garupa na mulher que me acama,
que a outra é contigo,coração que bem queres
sofrer pelas mulheres...
in:De ombro na ombreira,1969
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Têm-se dado conta?
La Bohéme
Um post a 4 mãos hoje! Diabolous in Musicae e Tempus_Fugit :-)
Ás vezes, quando o dia parece correr mal, um telefonema muda tudo...
Tiago liga a Filipe:
T: Oh Julie Andrews, o que é que vais fazer?
F: Oh Judi Garland! Eh pá.. ia ter ensaio, mas foi cancelado.
T: Bom então põe-te a mexer praqui, tou com o Mikael e o Joaquim, e vamos à Tasca do Chico ao Fado Vadio.
F: Jantamos na Casa das Indias?
T: Tá combinado
Acabamos de jantar tarde, e quando chegamos á tasca do chico, essa meca do fado vadio, os estrangeiros e sua pontualidade horrorosa já tinham ocupado todas as cadeiras... Valeram os sorrisos de uma ou outra, e o lugar ao pé do balcão, onde podiamos ser atendidos mais rápido e o Filipe podia assediar a empregada brasileira.
Ponto alto da noite, quando chegam os artistas do fado:
Abordamos o "Viola", que amávelmente elucida 4 alunos da Escola Superior de Música sobre questões técnicas do seu instrumento!
- Vocês já sabem fazer a barra?
:-)
Temos, digamos, uma vaga ideia do que é fazer a barra. Os segundos que se seguiram foram entre o desespero e a explosão de riso... Lá nos aguentámos, com o Joaquim a fazer a pega de caras, e os outros a olharem para outro lado e a respirar fundo...
A descer todos os santos ajudam... Depois do belo Faduncho, seguimos para a proxima estação: Cais do Sodré
Jam session no O'Gilins, com muita estrela internacional, desde raparigas finlandêsas com ares de South Africa até ao nosso novo amigo Abdull Rahim, sem esquecer o Jon Luz ou a rapariga brasileira de afinação duvidosa. Enfim, a globalização em curso! As únicas estrelas que não tocaram fomos mesmo nós, mas fomos um público exemplar!
Já com algumas amizades novas feitas e demasido consumo lá regressamos ao Bairro, onde o Mikael tem os seus aposentos. Fomos tombando á vez, sendo o Filipe o primeiro a saltar do barco.
História do dia seguinte, ou a moral da história:
Filipe dirige-se a muito custo para a sua audição e Tiago para duas aulas de musica de câmara com a fantástica duração de 4 horas... Se estás num certo ramo da música, por mais que gostes, não dá para te armares em Jorge Palma...
É que para nós o filme é mais "Deitar cedo e cedo erguer"
E termino com uma citação do Joaquim "...é uma canseira que nem queira saber!"
Mas de vez em quando lá nos permitimos dar um ar da nossa graça.
Diabolous in Musicae
Tempus_Fugit
Algures em S.Sebastião
Ás vezes, quando o dia parece correr mal, um telefonema muda tudo...
Tiago liga a Filipe:
T: Oh Julie Andrews, o que é que vais fazer?
F: Oh Judi Garland! Eh pá.. ia ter ensaio, mas foi cancelado.
T: Bom então põe-te a mexer praqui, tou com o Mikael e o Joaquim, e vamos à Tasca do Chico ao Fado Vadio.
F: Jantamos na Casa das Indias?
T: Tá combinado
Acabamos de jantar tarde, e quando chegamos á tasca do chico, essa meca do fado vadio, os estrangeiros e sua pontualidade horrorosa já tinham ocupado todas as cadeiras... Valeram os sorrisos de uma ou outra, e o lugar ao pé do balcão, onde podiamos ser atendidos mais rápido e o Filipe podia assediar a empregada brasileira.
Ponto alto da noite, quando chegam os artistas do fado:
Abordamos o "Viola", que amávelmente elucida 4 alunos da Escola Superior de Música sobre questões técnicas do seu instrumento!
- Vocês já sabem fazer a barra?
:-)
Temos, digamos, uma vaga ideia do que é fazer a barra. Os segundos que se seguiram foram entre o desespero e a explosão de riso... Lá nos aguentámos, com o Joaquim a fazer a pega de caras, e os outros a olharem para outro lado e a respirar fundo...
A descer todos os santos ajudam... Depois do belo Faduncho, seguimos para a proxima estação: Cais do Sodré
Jam session no O'Gilins, com muita estrela internacional, desde raparigas finlandêsas com ares de South Africa até ao nosso novo amigo Abdull Rahim, sem esquecer o Jon Luz ou a rapariga brasileira de afinação duvidosa. Enfim, a globalização em curso! As únicas estrelas que não tocaram fomos mesmo nós, mas fomos um público exemplar!
Já com algumas amizades novas feitas e demasido consumo lá regressamos ao Bairro, onde o Mikael tem os seus aposentos. Fomos tombando á vez, sendo o Filipe o primeiro a saltar do barco.
História do dia seguinte, ou a moral da história:
Filipe dirige-se a muito custo para a sua audição e Tiago para duas aulas de musica de câmara com a fantástica duração de 4 horas... Se estás num certo ramo da música, por mais que gostes, não dá para te armares em Jorge Palma...
É que para nós o filme é mais "Deitar cedo e cedo erguer"
E termino com uma citação do Joaquim "...é uma canseira que nem queira saber!"
Mas de vez em quando lá nos permitimos dar um ar da nossa graça.
Diabolous in Musicae
Tempus_Fugit
Algures em S.Sebastião
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Um Flirt na Nazaré
Decorria o ultímo dia de uma passagem de ano épica, quando fui com um amigo à procura da cafeina que o organismo reclamava para voltar a processar informação a uma velocidade aceitável.
Chego ao balcão de uma pastelaria e quando sou atendido:
T : Boa tarde.
Menina do Balcão: Boa tarde.
T: São dois cafés e... Este pastel é de amêndoa, não é?
M: É sim senhor. É um Nazareno
(Um bolo típico, portanto)
T: Então é isso... Dois cafés e um Nazareno.
M: Então e uma Nazarena... não quer?
Fiquei um bocado sem graça, não é todos os dias que uma rapariga nos seus 60, e qualquer coisa anos, me aborda assim tão decidida! Lá arranjei qualquer coisa para responder...
T: Então mas uma rapariga destas não é comprometida? Não pode ser...
As outras funcionárias, possivelmente descendentes da minha pretendente, andavam ali por perto a atender, aparentemente concentradas no trabalho, mas lá se descosem com um sorrizinho maroto. E diz uma de um lado:
- É descomprometida sim senhor, é viúva...
E a outra que ia a passar:
- E está rica.
Mais uma vez sem graça, lá respondo:
T: Bem, então nesse caso vou ali a casa buscar o fato e a gravata e já cá volto!
E lá nos rimos todos.
Simpatia desarmante, a de muitas das pessoas da Nazaré, para quem chega lá sem ser de nariz empinado. E o Ego agradece também, ás vezes precisamos de um elogio de um desconhecido.
Agora dei por mim a pensar, que casar com uma velha rica deixou de ser uma ideia tão estapafúrdia nos últimos tempos. É que andei a ligar pra saber o preço das casas em Lisboa, e enfim...
Mas no fim, lá chego á conclusão que o golpe do baú não é para mim.
Resta-me esperar que a felicidade continue a encontrar-me sem que esteja com ninguem pelos pricípios errados. Vou tentando merecê-la todos os dias.
Chego ao balcão de uma pastelaria e quando sou atendido:
T : Boa tarde.
Menina do Balcão: Boa tarde.
T: São dois cafés e... Este pastel é de amêndoa, não é?
M: É sim senhor. É um Nazareno
(Um bolo típico, portanto)
T: Então é isso... Dois cafés e um Nazareno.
M: Então e uma Nazarena... não quer?
Fiquei um bocado sem graça, não é todos os dias que uma rapariga nos seus 60, e qualquer coisa anos, me aborda assim tão decidida! Lá arranjei qualquer coisa para responder...
T: Então mas uma rapariga destas não é comprometida? Não pode ser...
As outras funcionárias, possivelmente descendentes da minha pretendente, andavam ali por perto a atender, aparentemente concentradas no trabalho, mas lá se descosem com um sorrizinho maroto. E diz uma de um lado:
- É descomprometida sim senhor, é viúva...
E a outra que ia a passar:
- E está rica.
Mais uma vez sem graça, lá respondo:
T: Bem, então nesse caso vou ali a casa buscar o fato e a gravata e já cá volto!
E lá nos rimos todos.
Simpatia desarmante, a de muitas das pessoas da Nazaré, para quem chega lá sem ser de nariz empinado. E o Ego agradece também, ás vezes precisamos de um elogio de um desconhecido.
Agora dei por mim a pensar, que casar com uma velha rica deixou de ser uma ideia tão estapafúrdia nos últimos tempos. É que andei a ligar pra saber o preço das casas em Lisboa, e enfim...
Mas no fim, lá chego á conclusão que o golpe do baú não é para mim.
Resta-me esperar que a felicidade continue a encontrar-me sem que esteja com ninguem pelos pricípios errados. Vou tentando merecê-la todos os dias.
Sinais de Mudança
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
É de pequenina que se faz a Varina
Muita gente há-de dar-me razão se disser que as mulheres umas pras outras são um bocado cabras... Eu acho que é um facto. É uma coisa que vem com o género. Desde a mais tenra idade a coisa salta à vista.
Vou dar um exemplo. É sempre bom ilustrar os Factos:
Tenho duas alunas que têm aula uma a seguir á outra comigo.
A Carolina tem 5 anos.
Eu: ...e pronto, já está na hora, temos de acabar a aula...
C: Ooohh, já! Porquê?
Eu: Então já passou o tempo, agora a seguir é a aula da Leonor.
C: A Leonor?
Eu: Sim, aquela menina com o cabelo loiro que aparece aí a seguir a ti.
C: Ah! Já sei qual é, ela também anda no Ballet. É Feia!
Eu: Não é nada feia a tua colega, não digas isso.
C: É feia é, eu já a vi...
:-/
A Leonor tem 8 anos.
L: Então aquela... a Mafalda? A... Matilde?
(fartinha de saber o nome da outra)
Eu: A Carolina?
L: Sim... essa... O que é que ela já aprendeu?
Expliquei-lhe o que tinha ensinado á Carolina e fiz uma comparação. Depois a Leonor fez possivelmente a aula mais esforçada até hoje...
É que hão-de ser assim a vida toda! Está lá no código genético...
Vou dar um exemplo. É sempre bom ilustrar os Factos:
Tenho duas alunas que têm aula uma a seguir á outra comigo.
A Carolina tem 5 anos.
Eu: ...e pronto, já está na hora, temos de acabar a aula...
C: Ooohh, já! Porquê?
Eu: Então já passou o tempo, agora a seguir é a aula da Leonor.
C: A Leonor?
Eu: Sim, aquela menina com o cabelo loiro que aparece aí a seguir a ti.
C: Ah! Já sei qual é, ela também anda no Ballet. É Feia!
Eu: Não é nada feia a tua colega, não digas isso.
C: É feia é, eu já a vi...
:-/
A Leonor tem 8 anos.
L: Então aquela... a Mafalda? A... Matilde?
(fartinha de saber o nome da outra)
Eu: A Carolina?
L: Sim... essa... O que é que ela já aprendeu?
Expliquei-lhe o que tinha ensinado á Carolina e fiz uma comparação. Depois a Leonor fez possivelmente a aula mais esforçada até hoje...
É que hão-de ser assim a vida toda! Está lá no código genético...
Bom começo.
Se é para nos metermos nas coisas, deverá ser a sério. Portanto, seria interessante editar o perfil, deixar lá umas palavrinhas.
Não começou bem.
Os aniversários são importantes. Para mim são dias importantes - o meu e o dos outros que fazem o meu mundo. E porque os anos que passam são anos ganhos, optei por deixar uma dica indirecta a todos (Ah! Agora ninguém tem desculpa para não me ligar no dia de anos) e lá escrevi a data de nascimento.
Não começou bem.
Qual não é o meu espanto quando começo a ler o perfil gravado "não sei quê; 28; feminino; Gêmeos; Cabra..." Cabra?! Mas porque carga de água...? Ainda nem escrevi praticamente nada.
Está a começar bem:)
P.S.:"Alguém me pode trazer um iogurte Danone? Daqueles. Daqueles com as mensagens:) Estou a precisar de uma mensagem".
Não começou bem.
Os aniversários são importantes. Para mim são dias importantes - o meu e o dos outros que fazem o meu mundo. E porque os anos que passam são anos ganhos, optei por deixar uma dica indirecta a todos (Ah! Agora ninguém tem desculpa para não me ligar no dia de anos) e lá escrevi a data de nascimento.
Não começou bem.
Qual não é o meu espanto quando começo a ler o perfil gravado "não sei quê; 28; feminino; Gêmeos; Cabra..." Cabra?! Mas porque carga de água...? Ainda nem escrevi praticamente nada.
Está a começar bem:)
P.S.:"Alguém me pode trazer um iogurte Danone? Daqueles. Daqueles com as mensagens:) Estou a precisar de uma mensagem".
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Chegada
Esta mania de ser honesta... dizer aquilo que penso, sinto e sobretudo descrever as figuras desconcertantes que faço para me rir juntamente com alguém... Resolvi então, já que se fazia tarde em aceitar um convite maravilhoso que me foi feito, chegar e contar toda a figura desconcertante que fiz só para passar a pertencer e por isso escrever qualquer coisa aqui neste cantinho inspirado (se não leram todos os posts têm obrigação de o fazer... estão razoáveis!)
Depois de cumprimentar o senhor da barbearia “Olá menina”; subir as escadas a correr e, ao mesmo tempo, a falar ao telemóvel; com trinta sacos a tiracolo; as cartas do correio quase a escorregar da mão; o telemóvel de novo a tocar... sentei-me. Fiquei de longe a olhar para a porta. Contempleia. De novo o telemóvel e depois a campainha “Oh menina desculpe incomodar, blá blá”. Acendi as velas e comecei a saborear o meu chá. E a porta lá estava novamente. Apesar de não haver dificuldade nenhuma, fui durante algum tempo incapaz de tomar uma atitude. Até já era confortável saber que ela estava ali. A medo estendi a mão e abri uma pequena fresta de forma silenciosa. Não queria de todo incomodar. Expectante fui abrindo. O que encontrei lá dentro surpreendeu-me e intimidou-me: uma verdadeira animação. Estava tudo feito e só havia risadas, suspiros, desabafos, até a Nicole lá estava.
Apercebi-me que estava mais do que atrasada e deveria ter chegado mais cedo, nem que fosse para pôr alguma ordem naquilo ou para causar alguns estragos. É que aquele pessoal estava a levar toda aquela converseta a uma velocidade perigosa... isto para não mencionar, que segundo me consta dois deles são artistas e inspirados. Um deles até se anda a especializar na dança.
Depois de tanta observação e hesitação, ajeitei a camisola, dei um toque no cabelo que rebelde parece sempre despentado e com um grande sorriso entrei e aproximei-me... disseram-me para me sentir como se estivesse em casa. Achei por bem cumprimentar os presentes: Olá, eu sou a Rita e acabei de chegar!
Depois de cumprimentar o senhor da barbearia “Olá menina”; subir as escadas a correr e, ao mesmo tempo, a falar ao telemóvel; com trinta sacos a tiracolo; as cartas do correio quase a escorregar da mão; o telemóvel de novo a tocar... sentei-me. Fiquei de longe a olhar para a porta. Contempleia. De novo o telemóvel e depois a campainha “Oh menina desculpe incomodar, blá blá”. Acendi as velas e comecei a saborear o meu chá. E a porta lá estava novamente. Apesar de não haver dificuldade nenhuma, fui durante algum tempo incapaz de tomar uma atitude. Até já era confortável saber que ela estava ali. A medo estendi a mão e abri uma pequena fresta de forma silenciosa. Não queria de todo incomodar. Expectante fui abrindo. O que encontrei lá dentro surpreendeu-me e intimidou-me: uma verdadeira animação. Estava tudo feito e só havia risadas, suspiros, desabafos, até a Nicole lá estava.
Apercebi-me que estava mais do que atrasada e deveria ter chegado mais cedo, nem que fosse para pôr alguma ordem naquilo ou para causar alguns estragos. É que aquele pessoal estava a levar toda aquela converseta a uma velocidade perigosa... isto para não mencionar, que segundo me consta dois deles são artistas e inspirados. Um deles até se anda a especializar na dança.
Depois de tanta observação e hesitação, ajeitei a camisola, dei um toque no cabelo que rebelde parece sempre despentado e com um grande sorriso entrei e aproximei-me... disseram-me para me sentir como se estivesse em casa. Achei por bem cumprimentar os presentes: Olá, eu sou a Rita e acabei de chegar!
a parte gira de se arrumar a casa...
Lembro-me um dia de, em conversa no bairro alto, de copo na mão e já um pouco em delirius tremens, dizer a uma bela rapariga, a conversa deveria rondar qualquer coisa sobre valores e posses, ou algo que o valha pois o meu estado mais não deixa recordar que a minha frase e o silêncio que se seguiu:
"Eu não possuo nada - disse esvaziando os vazios bolsos, excepto este sax que trago às costas (fiel companheiro, para o melhor e para o pior) e uma mão cheia de verdadeiros amigos. Essa sim, é a minha grande riqueza!"
Poderia estar ébrio, mas a verdade mantém-se de tal modo que até a mim me surpreende.
Hoje recebi um e-mail que uma amiga me mandou com um poema, e chega a ser assustador como os nossos amigos parecem conhecer-nos melhor que nós.
Obrigado Cláudia, obrigado Tiago, os outros, por ora, que me perdoem a discriminação, são tantos e bons que terão o meu tributo em hora certa. Todavia, "mi corazón es vuestro!"
"é encontrarmos verdadeiros tesouros por entre pilhas de lixo.
"Eu não possuo nada - disse esvaziando os vazios bolsos, excepto este sax que trago às costas (fiel companheiro, para o melhor e para o pior) e uma mão cheia de verdadeiros amigos. Essa sim, é a minha grande riqueza!"
Poderia estar ébrio, mas a verdade mantém-se de tal modo que até a mim me surpreende.
Hoje recebi um e-mail que uma amiga me mandou com um poema, e chega a ser assustador como os nossos amigos parecem conhecer-nos melhor que nós.
Obrigado Cláudia, obrigado Tiago, os outros, por ora, que me perdoem a discriminação, são tantos e bons que terão o meu tributo em hora certa. Todavia, "mi corazón es vuestro!"
"é encontrarmos verdadeiros tesouros por entre pilhas de lixo.
Não sei se te cheguei a passar isto mas, em todo o caso, tinha uma folhinha - com um aspecto ancestral, denunciando que já faz muito tempo que foi escrita - que dizia: "dar ao filipe."
Portanto...com grande atraso - mas mais vale tarde que nunca- e possivelmente repetido, cá vai:
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade
está um pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado,
coração que acha que Tim Maia estava certo
quando escreveu... "não quero dinheiro,
eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece,
e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,
sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações
e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que,
abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado
indicado apenas para quem quer viver intensamente e,
contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida
matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
" O Senhor poder conferir, eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro
que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que,
ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar, mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário
a publicar seus segredos e, a ter a petulância
de se aventurar como poeta.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade
está um pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado,
coração que acha que Tim Maia estava certo
quando escreveu... "não quero dinheiro,
eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece,
e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,
sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações
e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que,
abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado
indicado apenas para quem quer viver intensamente e,
contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida
matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
" O Senhor poder conferir, eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro
que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que,
ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar, mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário
a publicar seus segredos e, a ter a petulância
de se aventurar como poeta.
Rifa-se um Coração, Clarice Lispector "
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
THE DARJEELING LIMITED
Não conheço muitas pessoas que gostem dos filmes do Wes Anderson. Talvez por o humor ser muito estranho, muito subtil. Os tema fetiche dele, familias ricas e muito excêntricas também não é fácil. Mas este filme é muito bom, e mais acessivel que os anteriores. Como sempre com um elenco completamente de luxo, com a Natalie Portman a fazer um personagem que só entra numa cena, mas está presente como um fantasma durante o filme todo. E o Bill Murray que faz de figurante... A banda sonora é muito boa. O cenário (a India) é um espanto, ainda tenho os olhos feridos de tanta côr. A maneira como está escrito á volta do clichê da viagem espiritual é um recital de humor inteligente. E a fotografia! A fotografia deste filme é brilhante... Mesmo que mais nada no filme prestasse, para mim, já valia a ida ao cinema.Quem não gostava do Wes Anderson arrisca-se a mudar de opinião com este filme. Se calhar o que ele fez antes, "The Royal Tennenbaums" ou "The Life Aquatic with Steve Zizou" por exemplo, também vai acabar por ser melhor compreendido.
domingo, 27 de janeiro de 2008
O que há em mim é sobretudo cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
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