segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ideia

Não fazia a mínima ideia que havia restrições à fotografia na Gulbenkian. Fiquei com uma secreta vontade de organizar um casamento fictício e entrar por ali adentro só para ver os seguranças em pânico. Dava um bom performance para actores isto...

Please: don't feed the models...

Hoje foi dia de pousar para a foto, assumidamente. A última vez que me lembro disto acontecer era bem pequeno, e foi a minha mãe que me obrigou. Hoje teve de ser, ou então ia viver eternamente no dilema de não ter uma foto decente para acompanhar uma proposta de concerto.

E os modelos que se lixem... Querem saber o que é cansativo? Experimentem um dia a trabalhar a sério!

Grande fotógrafo o meu amigo Zé. Não só pelo talento, mas por tudo o resto.

Synecdoche, New York


link
Em poucas palavras: fui ver um filme do Kaufman e saí do cinema mais perturbado do que se tivesse visto um Lynch...

Em poucas mais: Uma amálgama de paranoias hipocondríacas, péssima relação com a morte e energias desperdiçadas, com um (grande) toque de surrealismo, sendo que em Lynch o surrealismo é o universo e em Kaufman ele invade uma realidade crua.

Sinceramente, não merece duas horas da nossa rica vida. Ainda que tenham gostado muito de tudo o que este senhor escreveu anteriormente. Ainda para mais, está muito longe de ter a beleza plástica que um filme do Lynch tem, em cada um dos planos.

das comemorações (com agradecimentos)

No próximo domingo vai-se dar um pic-nic comemorativo. Do quê? Do que cada um quiser!

Actualmente há muitas coisas pelas quais me sinto imensamente grata e, efectivamente, não encontro melhor forma de o expressar do que uma celebração. Assim, o que me relembrarei no domingo, porque lembrar lembro-me já hoje, é de que:

#1 dissemos "até já" para, nas Aldeias do Xisto, voltarmos a dizer "olá".
(pôr agora no play o inigualável tema (I've had) The Time of my Life - sim, da banda sonora do Dirty Dancing -, e deixar correr nos créditos um profundo agradecimento aos Pedros, aos Josés, ao Paulo, aos Marcos, aos Luíses, ao Jerson, ao Rui, ao Sr. Cunha, ao Sr. Joaquim, ao Fernando, à Eva, à Bárbara, à Bea, à Lu, aos suecos, espanhóis, peruanos, alemães, japoneses, franceses e até ao Eduardo)

#2 Tudo gira
Neste mundo tudo gira,
que eu gire em redor de ti não admira

#3 Na minha nova casa sente-se o quentinho das pessoas e o Tejo entra-me pela janela.

#4 "Você é capaz, do que está à espera? Força!" (Didi, cá vamos nós.)


E ainda hoje é só segunda...

domingo, 13 de setembro de 2009

Mudar de opinião

Nunca gostei muito dos Clã. Sou daqueles que difícilmente defendem alguma coisa só por ela ser portuguesa. E não faço ideia porquê, mas nunca tinham merecido a minha atenção.

Depois de ver o concerto no Avante!, perfeito a quase todos os níveis, o meu gosto começou a render-se. Depois de os conhecer, a simplicidade, boa disposição e abertura completamente genuínas que mostraram, deitaram abaixo quaisquer barreiras que podiam restar.

Hoje espero pela próxima oportunidade de os ver em palco.

Restart

Não sei em que altura da minha vida se deu a mudança. Tenho uma relação desconexa com o tempo, e em particular com as datas. Sei que em determinado ano começei a ser atacado pela melancolia no Verão. Em plena silly season, no meio da euforia geral, peles bronzeadas, férias da maioria, festas consecutivas... No Verão é sempre mais dificil aceitar o vazio existêncial que se abate sobre mim, sem razão óbvia ou sequer motivo transcendente que eu consiga identificar. É até grave que eu tenha começado a aceita-lo. Apesar de lidar bem com a diferença, incluindo a minha em relação aos outros, não acho que se deva prestar-lhe nenhum culto...

Já o Outono vem sendo, invariavelmente, toda uma explosão de expectativas e energias renovadas. Que estranho. Transpira energia e optimismo. Esperança, de que tanto venho falando.

Até hoje não me lembrava do padrão a que venho obedecendo, não sei desde quando. Na verdade acho que não sou bom com datas porque não lhes dou importância (até sinto pena quando vejo alguém a sofrer, porque anos depois, aquele é o dia do calendário em que aconteceu não sei que infortúnio... valerá a pena?). Hoje uns poucos telefonemas em que o trabalho, felizmente, se encontra com amizade reacenderam a pálida luz outonal, translúcida, que me vem permitindo ver quem consigo ser.

É que no Verão não faço nada de jeito. E agora vou começar tanta coisa que tenho uma vontade imensa de abraçar... No outro dia, primeiro dia de trabalho no conservatório, enquanto me chegava à frente para atender mais uma pessoa, dois colegas:

- Mas vocês iam beber café... Ele podia ter saído que eu atendia...
- Deixa estar, ele gosta de trabalhar.

E de certa maneira estou desconfiado de que gosto realmente! (com alguma ajuda do trabalho em questão) Onde é que eu terei apanhado esta doença?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

The return of Jules


Aconselha-se vivamente:

Lançamento do segundo disco do meu grande amigo
Júlio Resende Assim falava Jazzatustra


É um daqueles concertos realmente a ver. E isto digo eu, que tenho de ouvir este gajo todos os dias!

5aFeira(hoje) - Hot Clube - Lx
6aFeira - Teatro Municipal de Olhão
Sáb - Ondajazz - Lx
Dom - Jardim da Estrela - Lx

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Acerca da Esperança - Vol 2



(Imagem reincidente, que continua a habitar-me tanto tempo depois de a ter descoberto...)link

O mundo é para cada um de nós, um sítio distinto. Vivemos todos de formas diferentes o mesmo acontecimento. Portanto tudo o que nos é oferecido exteriormente se torna no nosso mundo interior. Tudo isto para chegar à abstracção que é a esperança.

A esperança vem de dentro meus caros. Mas podemos vê-la numa imagem de duas crianças do terceiro mundo, de cores diferentes mas tão iguais, abraçadas com a naturalidade que traz a verdadeira amizade, sorrindo agradecidas ao Sol que esbanja luz sobre a sua felicidade.

Parece-me difícil conceber uma imagem tão perfeita com crianças do primeiro mundo. Talvez porque tenha esta ideia de que onde a vida é obviamente mais difícil, as pessoas acabam por prestar-lhe uma espécie de culto involuntário, por ter alegrias nas coisas mais simples. Talvez porque tenham descoberto, ainda que de forma latente, que por muito difícil que seja, a vida merece que lhes prestemos culto, que sejamos felizes o mais possível, e não o menos.

Por isso sinto que me chega de dentro. Sei que ela está lá. A esperança, assim como a felicidade (essa quimera, dizia o delirante Brás Cubas, pela pena de Machado de Assis), e tudo o resto. Se não estivesse poderia vir alguém entregar-ma numa bandeja de ouro e não ia servir de muito. Se não estivesse a bandeja ia sempre parecer-me vazia.

Haveria algum titulo mais perfeito para esta imagem? Hope...


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Desktop


Gero Tan
another pop explosion by Takashi Murakami
oficial site @
www.takashimurakami.com

Como perder duas horas de forma absolutamente inutil

É fácil... Basta ir à DGV.

É receber um aviso de que a sua carta de condução está lá para ser levantada. Estranhar, porque não há memória de se ter pedido uma segunda via, e a carta está ali no bolso. Mas ainda assim pensar que se calhar eles estão a dar aquelas cartas novas a toda a gente. E dizer, bom, vamos lá. 20 minutos para chegar lá e estacionar. Depois é ficar contente porque a senha que se tirou só tem dois números à frente. Mais 30 minutos, nada de grave. Quando chega a vez, bom dia senhora da DGV, entregar o aviso, e vê-la dizer, Ái... agora onde é que isso estará!?. 10 minutos. Olhe espere ali um bocadinho que eu já o chamo. Depois é aguardar pacientemente mais 30 minutos. Ficar a saber o nome do ciganito que vai importunando todos os seres vivos da sala pela voz da sua mãe, Ái mããiiii, olha nã tenhe chnéis!, Giovane! Levas uma inlabada pro fucinh se nã páras susugado! Tic Tac Tic Tac... Sr. Tiago... E lá se recebe uma segunda via da carta, de 1997, que por acaso já não me lembrava de ter pedido, mas após algum esforço lá se encontra nas memórias desnecessárias.

Escusado será dizer que a carta é igual à anterior, e se assemelha a um pacote de cereais, cor-de-rosa esquesito, desdobrado. Não é cá dessas coisas finas de hoje em dia, que cabem na parte dos cartões e dão para conduzir motociclos até 125cc...

...


terça-feira, 1 de setembro de 2009

Twilight Dive



Acabou mais uma pausa. Não que me tenha servido para descansar grande coisa. Não que eu precisasse, na verdade.

Na memória ficam, entre outras coisas, os cinco finais de tarde perfeitos que a minha Olympus captou muito bem para a posteridade...