domingo, 13 de janeiro de 2008

Da alma humana...

2ª Sinfonia de Mahler... Pouco consigo dizer, talvez uma das tais 100 obras a ouvir antes de sermos portadores do negro óbolo na famosa travessia do Hades. Pouco consigo dizer, a ouvir!
A nossa Sinfónica está de parabéns, ouvimos Mahler e ouvimos bem.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Um beijo em quartas

Hoje beijaste-me, e isso tem todo o futuro.
E eu tenho tempo, espero por ti nesse sorriso pueril emoldurado pelo teu amplexo de mulher, meu amor.

Uma questão de humildade ou discernimento?

MANIA DO SUICÍDIO

Às vezes tenho desejos
de me aproximar serenamente
da linha dos eléctricos
e me estender sobre o asfalto
com a garganta pousada no carril polido.
Estamos cansados
e inquietam-nos trinta e um
problemas desencontrados.
Não tenho coragem de pedir emprestados
os duzentos escudos
e suportar o peso de todas as outras cangas.
Também não quero morrer
definitivamente.
Só queria estar morto até que isto tudo
passasse.
Morrer periodicamente.
Acabarei por pedir os duzentos escudos
e suportar todas as cangas.
De resto, na minha terra
não há eléctricos.

Rui Knopfli


Quando morava na outra casa tinha, entre outros, este poema na parede. Éramos três lá em casa, dois dos quais músicos.
Eu e o outro, vamos chamar-lhe "músico", antes amigos agora incompreendidos, chegáramos ao colapso da cordialidade, tínhamos discutido uns dias antes, e eu pensei, "Não dá, não consigo comunicar com este troglodita". Havia uma mulher que dormira lá em casa, a quem eu explicara que "Isto não tem futuro" que me perguntou de quem era Aquela mania do suicídio? Do Rui Knopfli, retorqui...

Tínhamos jantado em casa da Joana, muita conversa e vinho e lá dormimos todos... Vim a casa mal dormido tomar banho e mudar de roupa, abro a janela o sol do meio-dia inunda-me a sala e na estrada defronte vejo escrito em letras brancas garrafais "Músico procura-se para terra sem futuro e sem eléctricos".

O "músico" queixou-se ao terceiro elemento lá de casa, que aquilo era uma afronta...anunciou a sua saída para o final desse mês.

Ainda hoje me interrogo que terá o "músico" entendido naquela frase, se nem sequer conhece Rui Knopfli?

Foi das coisas mais bonitas que já me escreveram...

100 Obras para ouvir antes de morrer - nº3


Dois brasileiros, uma guitarra e uma garrafa de whisky, num estúdio de um amigo em Milão. Decidem gravar um Álbum! Acham que pode dar bom resultado? Posto assim, eu também achava que não... Toquinho e Vinicius de Moraes, em 1975, imortalizaram o que para mim é a Bossa Nova. Sem grandes produções, meses em estúdio, takes sem fim... A fazer com toda a simplicidade deste mundo canções bem complicadas. Para mais o Vinicius escreveu quase todas as letras. E o Toquinho tocar Bossa é a perfeição.

É um bocado penoso para mim ouvir mais uma versão da "Garota de Ipanema", ou da "Insensatez", versão chillout, versão arranjo para 50 músicos, etc... Soa tudo redundante. Nunca ouvi, nem imagino versões feitas com mais alma do que as que estão aqui. Há outras boas... Se calhar tou a ser um bocado redutor com tudo o que veio depois, mas nisto das versões dos clássicos acontece o mesmo que com os Grafittis: em cada 100 paredes pintadas, se calhar, uma é arte, e o resto são rabiscos sem talento.

Uma pena...


Hoje fui ver o João Paulo Santos a dar um concerto de piano a solo no Teatro da Barraca. Ele é musico demais para aquele pequeno espaço, toca lá porque é amigo da casa, e no entanto... uma sala de pequeno café concerto, com meia duzia de gatos pingados.

Por um lado até me reconforta o ego, quando for tocar para meia dúzia de gatos pingados, pensar no musico brilhante que é o João Paulo e como por vezes a plateia dele é tão pequena. Por outro nunca vou conseguir aceitar que as coisas sejam assim. Hei-de me esfolar por ter público, porque sei que estou a fazer as coisas bem. Talvez duvidasse mais se só me acontecesse a mim.
Preserverança. Faz tanta falta.

Se começasse a escrever sobre o que ouvi hoje, musicalmente, não sei quando parava... E provavelmente ficava muito longe de conseguir explicar o que é ver este concerto. Não vale a pena. Vão ver na proxima oportinidade. A sério.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Vida Madrasta

"...this is me at my most masoquistic..." Bill, in Kill Bill, já não sei qual dos volumes


Imaginem uma pessoa que passa todos os dias numa linda ruela do Chiado, onde gostava muito de morar... Um belo prédio em que só deixam a fachada e restauram a fundo tudo o resto. Um numero de telefone num anuncio a dizer T0 a T4.

Penso eu pra mim:

Que perco em ligar? Eu ficava mais que bem num T1, mesmo num T0... Eu nem sequer faço fritos...

Decidi ligar.

Senhora telefonista muito bem disposta: "Boa tarde!"

Eu: "Boa tarde, estou a ligar pra saber o preço e área dos apartamentos T0 e T1 na rua ____"

Sra tel mt bem disp: " O T0 está lincenciado para escritório, tem uma área de..."

Eu: " Escritório não me serve, ando á procura de habitação... E os T1"

Sra: "Os T1 já estão vendidos... Só temos T2"

Eu(Bill): " Bem, já estou a ligar diga-me o preço e a área dos T2.

Sra: "Os T2 são 520 000 euros, e têm uma área de owqhfrhwhgjrwoqgjinogr..."


Pois é, a área infelizmente já não consegui ouvir, quando o cérebro processou quanto eram 520 000 euros em moeda antiga, nova, estrangeira, horas de trabalho, confirmou os dados e disse:
Sim... 520 000 Euros...
Senti uma pontada nas costas, e tive uma visão do futuro. Era eu, a morar num T1, na Damaia, ou em Chelas... Ou no Montijo.


Sra(um pouco confusa): "Tou..."

Ao voltar a mim ainda me ocorreu dizer que ia ligar para o meu banco, a pedir um empréstimo a 150 anos, mas faltou-me o espírito. Fiquei-me pelo:


Eu "Então obrigado, e boa tarde..."

Sra(Com uma voz de quem já tinha visto o filme mais vezes e teve sempre pena): "Boa Tarde..."


Resta-me o consolo, onde quer que vá morar, de não pertencer a nenhum cartel colombiano, não traficar os Rins de alguns pobres coitados na Macedónia, não ser filho de um ditador, etc...

COMO ESSAS CRIATURAS INFAMES QUE VÃO COMPRAR OS APARTAMENTOS NO CHIADO



Pensando bem, até fico com uma vizinhança muito melhor, no meu T1 na cova da moura.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Quem muito procura...

Obrigado Salsicha http://salsichanaotedesgraces.blogspot.com/

Devia ter chegado lá sozinho é verdade, mas é tão mais fácil roubar as soluções dos outros!

"...por já ter visto todos os filmes em cartaz no Arena Shoping (zona oeste), lá fui arrastada para uma obra prima do Tino e fui ver o Call Girl. ..."

Agora só tenho de ver os filmes todos que estão nos Medeia, e depois fazer uma cena tipo teatro de revista:

Ah! Mass eu já vi estes todos!!! Só me falta mesmo aquele com a coisa... a... como é que ela se chama mesmo??? Será que isto presta?

:-)

sábado, 5 de janeiro de 2008

Mauriquê?

Será que se a rapaziada lá para os desertos e afins conhecessem a Soraia Chaves facilitavam a coisa e nós sempre víamos o Dakar...

_Ó Soraia, não queres vir dar ali uma voltinha até à Mauritânia?

_Mauriquê?

O Dilema!

Como é que um homem faz para ir ver o Call Girl ao cinema sem fazer figuras de rebarbado??? Faz de conta que achava que o filme era bom?... que foi ver o desempenho do Ivo Canelas? E do Nicolau? :-/

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

100 Obras para ouvir antes de morrer - nº2


O Pássaro de Fogo - Igor Stravinsky




Por muito bem que se conheça uma obra em cd, ao vivo é outra coisa. No caso de instrumentos acústicos ainda mais. No caso de um dos melhores orquestradores da história da música então nem se fala... Stravinsky é de longe o meu compositor preferido. O eterno inconformado, diferente em todas as suas fases, e ao mesmo tempo inconfundivel. Escreveu esta obra bem novo, e foi a terceira escolha de Nijinsky para compôr esta encomenda dos Ballets Russes. Perdoem-me os bailarinos, coreógrafos e amantes da dança, mas ainda bem que tive a oportunidade de ouvir simplesmente tudo o que lá está sem mais nada a captar-me a atenção. É que a musica é tão boa que me custa a imaginar uma encenação que lhe faça justiça.




E ver a Joana Carneiro, que cabe dentro duma mochila de campismo, enorme á frente da orquestra.




Só é pena que o público da Gulbenkian esteja cada vez pior. Cada vez mais parecido com o que se vê no resto das salas do país. Tosse um, e de repente parece que entrámos na ala dos tuberculosos de um hospital...

Amanhã vou outra vez! Obrigado Sr. Gulbenkian pelos bilhetes de graça :-D




quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Desktop


Blossom

I will be what always had, but never assumed, I know a smile will heal the wounded, simplicity shines beside greatness. Grace, so mysterious, is an inner step away. I will be me assumedly. I accept all I have to give. Happiness. I hope it will simply come. It’s not a secret buried, but we have to aspire to know it at least.