domingo, 11 de maio de 2008

O meu segredo culinário


Não sei como faço, mas sempre que cozinho a coisa demora uma eternidade. Hoje comecei com a lasanha às 9 da noite, e quando me sentei para comer eram 11:20! E isto acontece-me mesmo que tenha convidado pessoal para jantar...

De onde vem a minha fama como cozinheiro? Hummm?

Pois bem, levo tanto tempo, que quando a comida chega finalmente á mesa, está tudo meio morto de fome, e qualquer prato se arrisca a tornar-se um maná dos céus... A imagem é parecida com a ajuda humanitária a chegar a uma qualquer aldeia perdida no meio do Zimbabwe! (Mas com menos moscas. Cá não temos tantas, é um facto. E enfim, as senhoras presentes estão vestidas mais condignamente, e tenho a certeza de que a lei da gravidade também as vai tratando melhor do que às suas congéneres africanas. Pronto, vou parar, acho que a imagem está lançada na mente de todos os leitores, que certamente viram tantos National Geographics como eu quando eram pequenos!)

Agora que vos revelei o meu segredo, podem fazer uso dele para inflacionar os vossos talentos culinários, mas aos afortunados que venham eventualmente jantar a minha casa aviso desde já que estão terminantemente proibidos de virem prevenidos, ou seja, de barriga previamente cheia para melhor suportar a espera. Afinal, tenho uma reputação a manter! E no final de contas, eu inflijo isto inclusive a mim próprio!

Devo dizer que a minha lasanha hoje estava sublime :-)
Imagem daqui

sábado, 10 de maio de 2008

In Vino Veritas?

Ocorreu-me à bocado que nunca vi ninguém a recambiar uma garrafa de vinho no restaurante.

O empregado de mesa a chegar, a deitar um pouco de vinho no copo do que lhe parece ser o macho alpha dominante da mesa, o dito a fazer uma expressão de entendedor enquanto olha para a cor e cheira, depois a prova... O suspense enquanto olha para o infinito... e no fim olhar para o empregado, franzir o nariz e dizer:
- Naaa... Desculpe mas isto não serve.

Poderia ter sido eu, caso a conjuntura fosse outra. A saber: Estar num restaurante, ser o provador oficial da mesa(podia ser o único da mesa!), o chefe de cozinha escolher vinhos à parva ou ter uma lesão no palato, e por aí fora... O facto é que o comprei no Pingo Doce e assim não há grande volta a dar!

Uma pessoa vai entrando aos poucos no mundo dos vinhos, conhecendo a região, as castas, os anos etc. E depois começa a querer fugir dos vinhos óbvios e seguros (por ex. Montevelho, Marquês de Borba, Periquita...) e a arriscar uma compra de vinhos que nunca ouviu falar. E devo dizer que até hoje ia correndo sem grandes sobressaltos. Até hoje...

E hoje que cheguei à conclusão que já vou percebendo qualquer de vinhos. Abri a garrafa enquanto fazia o jantar. Deitei um pouco no copo e a cor pareceu-me deslavada para um vinho alentejano, mas pensei, ‘não percebo nada de vinhos e tou armado em carapau de corrida...' Cheirei e prendi o aroma antes de tocar com o vinho no palato e naquele segundo pensei, ’eh pá... isto parece-me um bocado ácido de mais', mas ainda antes de o vinho atingir o seu destino, qual fatalidade anunciada por um coro da tragédia grega, pensei, 'lá estás tu com a mania que já percebes de vinhos...' E depois provei. As várias vozes que normalmente se contradizem pensamento fundiram-se numa: Pronto, é uma merda...

Reli o texto do verso da garrafa:
Terra D'Alter foi feito a partir de 4 castas em proporções iguais, Trincadeira, Syrah, Touriga Nacional e Petit Verdot. As uvas foram vindimadas em óptimo estado de maturação, controlado através de amostragens constantes das vinhas. Depois do desengace e esmagamento das uvas o mosto foi macerado a frio durante 48 horas antes do inicio da fermentação. O vinho fermentou a 20-22ºC durante 5 dias, após o qual se procedeu á sua trasfega e prensagem. Depois da fermentação malolática o vinho estagiou em barricas de carvalho durante seis meses.
Enólogo: Peter Bright

Se tivesse o número do Peter ligava-lhe. Gostava muito de saber qual foi a parte que correu mal, e pelo texto não percebi!

Agora o dilema é que tenho uma garrafa cheia desta 'zurrapa' e não sei o que lhe fazer!

DE...Olinda, isto é, DEOLINDA

Na passada quarta feira fui ao cinema S.Jorge ver este grupo, do qual sou amigo e, sobretudo, fã!
É dos grupos portugueses e que cantam em português dos últimos tempos que mais me marcou, acredito piamente que têm um futuro promissor nos próximos anos.
"Cantar a tristeza rindo" dizem, mas também já disseram "Uma mistura de fado e urânio enriquecido", para os cépticos, aconselho a espreitarem em http://www.myspace.com/deolindalisboa .

Se não gostarem...mais não posso fazer,mas atentem à qualidade dos arranjos, ao extraordinário refinamento das letras.

mas vão lá ver..."vão sem mim que eu vou lá ter".

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Signos.


As geminianas são várias mulheres numa só, o que as torna imprevisíveis e fascinantes (in Revista Elle).


E ainda há quem torça o nariz quando digo que sou Gêmeos...


quinta-feira, 8 de maio de 2008

A outra!

Chegaram na mesma altura. Uma relativamente mais cedo que a Outra.

Uma tem direito a algumas noites, a Outra começa a monopolizar parte das noites e ainda algumas tardes dependendo dos dias.

Uma dá mimos e tenta arranjar 69 maneiras de se divertirem e estarem juntos. A Outra acaba por surgir-lhe sempre no pensamento e passa a vida nas mãos dele.

Uma sempre disse que não tinha feitio para estas coisas da partilha. A Outra está disposta e agradece a partilha geral, quantos mais forem melhor se torna a diversão.

Face aos comentários de tantas Umas que passaram a partilhar o seu bright side of life com Outras, Uma não é atormentada pela existência da Outra, acha que podem coexistir e quanto mais perto melhor. "Keep your friends close and your enemies closer".

A Outra não quer nem saber. Uma gosta muito daquilo que têm neste momento, incluindo até a presença da Outra. Afinal, já experimentaram momentos a três e não correu mal de todo.

A Outra preocupa-se, começa a assediá-lo com novidades. Uma não está para se chatear porque sabe aquilo que tem e agradece que a Outra o agrade. Se a Outra se comportar e não tiver dúvidas quanto ao seu lugar, Uma fica satisfeita e não chateia!



quarta-feira, 7 de maio de 2008

Pessoas que mudam as nossas vidas

Da classe dos músicos em geral, tenho a lamentar várias coisas. Umas chateiam-me mais que outras. Uma delas é o Ego exacerbado de alguns, e a arrogância que daí advêm. Outra é a limitação à musica no que toca à arte, e muitas vezes a limitação ao próprio instrumento que tocam. Só dominam e gostam do seu próprio instrumento, a sua "área" musical e de resto são um atraso de vida. Na maior parte das vezes tenho constatado que são precisamente dos piores músicos que conheço que vão ao encontro destes defeitos de fabrico (na minha opinião), mas nem sempre é assim. Há bons músicos que quando abrem a boca parecem uns jogadores da bola autênticos. Uns Trolls, ainda que isso esteja para além da minha esfera de compreensão.

Na semana passada tive o privilégio de conhecer um dos melhores músicos do mundo na sua área, para muitos o melhor no seu instrumento. Ficou hospedado nesta espelunca acolhedora que é a minha casa, não por minha causa, que ainda tenho de pedalar um bocadinho para me sentir confortável ao lado de um monstro como aquele, mas do grande amigo com que partilho casa.

É a antítese de tudo o que critiquei atrás. O low profile, muito reservado, muito zen, mas sempre com um sorriso no rosto. A simplicidade da pessoa em contraste profundo com o génio em palco. Sempre com atenção ao que temos para lhe dizer, e com horror a ser o centro das atenções quando não está a tocar.

Para além da pessoa reservada descobrimos uma cultura e sensibilidade enormes. O sentido de humor refinado e todo o ser humano. Há-de ser para sempre uma das referências da minha vida.
Levei uns dias até escrever este post porque estive a chegar a essa conclusão. Conhecê-lo não me fez simplesmente querer ser melhor músico. Fez-me querer crescer como pessoa.

A despedida no aeroporto:
- Foi um prazer enorme conhecer-te...
- Y yo a ti, amigo Tiago...

Felizmente que há pessoas assim. Que mudam as nossas vidas e nos fazem crescer só por serem quem são, do alto de toda a sua simplicidade. Enormes.

E se te oferecerem flores?

E se consegues um mega editorial com direito a capa, tens tudo combinado com a revista, a revista tem tudo a andar: produtora a seleccionar peças, redactor reservado para o dia, equipa de produção destacada, tudo corre de feição... e o jogador de repente deixa de ter disponibilidade? Não, não é Impulse.... É uma grande Merda!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Quando algumas linhas condensam páginas escritas.

Tenho uma fita de final de curso para escrever. Ainda não ganhei coragem. Queria que as minhas palavras fossem especiais... queria conseguir deixar todos os recados... queria poder dar todos os conselhos que evitassem os momentos menos bons, a dor... queria que a fita servisse de redoma de vidro onde estivesse protegido de tudo e todos...
Mas... adoro-o e por isso tenho de saber deixá-lo viver à sua maneira e estar cá para o que for necessário. Deixá-lo crescer, viver a sua vida e bater com a cabeça quando tiver de ser!

Desktop


We are a Battlefield
@Deviantart

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Problemas de expressão.

No meio das imensas traduções que temos de fazer levantam-se muitas vezes algumas dúvidas, principalmente pela mania que temos de usar estrangeirismos. Assim, existindo ambas, será mais correcto: pôquer ou poker? Pitões ou pitons? Ecrãs ou Ecrans? Soutiens ou Sotiãs? Uns são mais usados, os outros são mais correctos e é sempre uma dor de cabeça!

Pequenas coisas que nos dão prazer #2




Sentar numa esplanada perto da água, saborear um gelado e sentir as carícias quentes do sol a bronzear pernas, braços, cara... e ficar ali de "havaianas" com tempo para não fazer nada!

sábado, 3 de maio de 2008

Il Signore Eco

Ando por estes dias com "A misteriosa chama da Rainha Loana" de Humberto Eco, entre outras coisas, como companhia literária. Grande escritor mesmo... De uma cultura e inteligência a toda a prova, não deixa de ter, como é comum em alguns intelectuais, um grande sentido de humor, coragem e emoção na escrita. Deixo-vos esta citação, que apesar de descontextualizada não deixa de ser exemplo do que atrás disse:

"...Os caminhos do senhor são infinitos, pensei eu, passam inclusive pelo olho do cú..."