sábado, 9 de fevereiro de 2008

Desktop 9-2


Decoração nova do desktop de tempos a tempos, altamente estimulante...

Finas ironias da vida

Hoje de manhã cruzei-me com a Margarida Rebelo Pinto, no El Corte Ingles.

Eu levava um saco com três livros (Resistir - Esnesto Sabato + História de Cem Anos de Solidão - Eligio García Márquez + As perturbações do pupilo Törless - Robert Musil = 25 Euros... Muchas Gracias por las rebajas!).

A Magarida estava na secção dos cosméticos, segundo o que me pareceu, à procura de um bom rimmel...

Agora digam lá que a vida não é engraçada quando olhamos para ela com atenção.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Auto-Avaliação

Um dia cheguei á conclusão de que a minha imaginação ia muito para além do bom gosto, quanto mais do politicamente correcto, no que diz respeito ao humor.

Sendo utente do Metro desde que estou em Lisboa, vi desfilar o catálogo dos cegos que pedem nas carruagens. A primeira vez que vi dois cruzarem-se em sentidos opostos a minha mente processou uma cena de luta tipo "O Tigre e o Dragão" ou o "Matrix"! Lá fiquei a perguntar-me o quanto é saudavel a minha imaginação... Mas efectivamente tenho de me haver com ela. Quando passa um que tem o pregão já bem distorcido pelo uso a dizer "Tenha a bondade de me auxiliar...", mas que soa a "Tenha a bondade de me auzbrtghaar", dou por mim a encaixar palavras naquela última e pensar no resultado pratico. A pior foi possivelmente: Tenha a bondade de me alucinar com a vossa esmola por favor. A imagem de alguem a meter uma moeda no copo e do cego aos gritos e a ter convulsões, enfim, deixa-me com uns certos remorsos...
Ás vezes quase que vivo aquela alegoria de ter um diabinho em cima de um ombro e um anjo no outro. O diabinho faz a piada de péssimo gosto, e eu lá me vou rindo, e o anjinho no outro lado vai-me lembrando que vou ser chamuscado pela eternidade fora!

Outro episódio com um cego no metro deixou-me a pensar no estado das coisas.
Um cego com muito má fama, ou seja, de agarrado, de não ser bem cego, de ser bruto e malcriado, e tantas coisas mais, ia a passar e tropeçou na caixa da minha guitarra. Culpa minha, estava distraido e não reparei que ele tinha entrado ao mesmo tempo que eu na carruagem. Não caiu mas esteve quase, e desatou a dizer palavrões, como deve fazer tantas outras vezes ao longo do dia. Instintivamente pus-lhe a mão no ombro e disse com toda a sinceridade do mundo:
-Peço-lhe imensa desculpa! Esta distraido e e não o vi. Desculpe!
A expressão dele foi de algum espanto. Virou-se, pôs-me a mão no ombro também e disse:
-Não, eu é que lhe peço desculpa, pela falta de educação. Desculpe!
Cheguei á conclusão de que aquele simples gesto, em que alguém lhe mete a mão no ombro e lhe pede desculpa, deve ser coisa rara no seu dia-a-dia. A rotina deve ser mais o encalhar, dizer palavrões, e ganhar má fama. Deve ser muito dificil tratar bem um mundo que nos maltrata. Não nascemos todos para ser Ghandi, isso é de certeza.

Tiro alguma moral de tudo isto, obviamente. Não me sinto mal por o meu humor ser tão ruim, porque realmente, no fim-de-contas, o que importa mesmo é outra história.

P.S. Rita, apesar de estar moribundo e por isso pouco "apresentável", como tu sublinhaste à bocado, vim cá deixar este postzinho. Não quero que te sintas sozinha aqui no nosso canto! ;-)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

you lucky girl!

Ontem, descobri um chocolate no saco de amostras de roupa que veio de uma produção fotográfica. Edição limitada. Chocolate de Madagáscar. Chocolate com pimenta. Quando agradeci, li no sms "you lucky girl! Enjoy it!".
Está ali. Ainda não provei. Disseram-me que essa combinação de chocolate com pimenta é óptima. Mais, que é afrodisíaca. Vou ter de provar. "you lucky girl! Enjoy it!"

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Não era mais fácil?


Adeus.

Acabei um dos livros que estava a ler. Após a longa companhia que me fizeram, todos os personagens foram embora. Despedimo-nos. Adeus. O problema agora é que tenho saudades. O tempo que estiveram comigo foi como se fosse sempre e agora foram embora. Fazem-me falta.

Exactamente o mesmo acontece quando acaba um filme ou um episódio das minha séries. Fico ali, com o olhar preso no ecrã, a tentar que toda a impressão que me deixaram não se desvaneça.

No cinema amaldiçou todos os que resolvem levantar-se no final do filme (ninguém tem culpa, os bancos é que deveriam ser individuais), ainda as luzes não acenderam, impossibilitando-me de desfrutar daquele momento, para mim único, do adeus. Embalada pela banda sonora, olhos pregados nas letras do genérico sem, no entanto, as ler, fico ali entregue aos meus pensamentos e ficaria mais tempo. Queria saber como foi depois, o que fizeram. Como foi depois.

É essa a magia dos livros e dos filmes transportam-nos para outro lado. Um mundo infidável de sensações novas. É uma viagem no tempo. É o regresso que me entristece. É a despedida. Adeus.

Na generalidade, as despedidas não me agradam. Ainda não aconteceram já tenho imensas saudades, às vezes daquilo que não vai acontecer. Não é fácil explicar. Evito o pensamento de que não vou ver mais, não vai acontecer mais ou simplesmente que não vou voltar, que não voltarei para a minha vida comum, singular, ao jeito de comédia. Cada vez que viajo (acreditem que não são poucas), não quero ir e acho que é isso, é o medo de não regressar e do adeus. Sobretudo por não ter dito adeus. Nunca digo adeus. Deixo em aberto. Até logo!

Confesso que até eu reciei que este texto acabasse na constatação de que sofro de dependência de viagens no tempo, principalmente do síndrome de telenovela (anda implícito que as pessoas dedicam tanta atenção às telenovelas porque assim podem escapar e concentrar-se por uns minutos numa vida diferente, que não a sua - um escape). Descansem não se trata disso. O meu problema é com os finais. Até logo!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Petição contra o fim do ensino especializado da música em Portugal

Crime cultural de lesa-majestade.

Não há palavras que descrevam a política do nosso país, no que diz respeito à saude, à educação e à cultura. Como é que possível viver num país que não consegue criar as suas próprias soluções, insistindo em importar modelos que, por mais perfeitos e adequados que aparentem ser, ou são, se revalam sempre tão desajustados da nossa realidade?
Em causa está o ensino especializado da música nas escolas públicas em Portugal, em causa está a formação de um país - a profissional e, acima de tudo, a pessoal, aquela que forma o indivíduo, portador de uma identidade que vai cunhar o "colectivo" . Colectivo que nos forma país, que nos diz portugueses, checos, franceses...

Caminhamos a passo largo para um país ágrafo!

Segue-se um texto do punho do compositor e professor Eurico Carrapatoso, a sua eloquência não necessita de adjectivos. Contamos consigo para não cairmos no silêncio, no obscurantismo, na não-inscrição. Pense um pouco nisto, espalhe a palavra, assine a nossa petição.

Unamos esforços:
Viva,
O futuro do nosso Conservatório Nacional não tem as melhores
perspectivas. A ministra da Educação, numa óptica estritamente
economicista, parece considerar incomportável o ensino da música
ali exercido, suportando as suas opiniões na ressonância de uma
comissão de especialistas doutorados que, também numa óptica
estritamente economicista, lhe sugere, entre outras soluções, a
implementação das aulas colectivas de instrumentos [com 10
trompetes de cada vez ou com 10 cantores(não confundir com coro)],
para acabar de vez com o ratio insustentável de 1 professor para 1
aluno; comissão essa que também lhe sugere a subtracção do direito
às aulas aos alunos em regime supletivo, ou seja, àqueles que
buscam efectivamente, após o chamamento da sua vocação, a cultura
numa das suas formas mais cristalizadas - a música - seja como
complemento legítimo à sua educação e plenitude
espiritual, seja como investimento sério e responsável numa
perspectiva de futuro profissional, e,assim, canalizando o ensino
da música apenas para o regime integrado e articulado, a começar
aos 10 anos de idade. Temos de concordar com a ministra e com
aquela comissão: esta é, de facto, a idade típica, diria mesmo
ideal, em que a criança (que entretanto já terá lido e interpretado
Kant na primária) está no ponto de ouro para discernir sobre a sua
inquestionável vocação instrumental (Mãe: quero o fagote! De forma
alguma violeta, já disse!); e também na idade de se responsabilizar
pelos seus actos, dando o passo grave, e, a partir daí, suportar
todas as consequências do sentido do passo dado.

O Conservatório já sobreviveu a muitas situações desde a sua
fundação: sobreviveu à Maria da Fonte, ao Setembrismo, às
convulsões do Ultimatum e aos consequentes fervores republicanos. E
sobreviveu ao regicídio e à transição de Regime; e resistiu ao
fascismo e à economia de duas guerras mundiais; sobreviveu à guerra
do Ultramar, ao verão quente de 75 e ao Cavaquistão. E há-de
sobreviver ao Governo de Sócrates.

Comecei a escrever uma lista de alunos e ex-alunos do Conservatório
Nacional de Lisboa que seguiram (ou seguem) com sucesso a profissão
da música (por ordem alfabética de apelido). A lista foi crescendo
aos poucos consoante ia crescendo o meu orgulho por ser professor
numa casa que, com mãos tão generosas, deu frutos tão sumarentos à
cultura da subtileza de Portugal.

A cultura é a alma de uma nação. O seu valor é incalculável. Não se
mede por números, Sra Ministra.

Acordai!

Eurico Carrapatoso

http://www.myspace.com/contraofimdoensinoespecializadodemsica





A Teoria do Puzzle

Hoje ao jantar calhou em conversa falarmos do X, o amigo do Nuno, e alguém teceu o comentário de que X não era um grande "comunicador", falou-se das suas eventuais limitações, ao que o Nuno discordou e, de modo eloquente, nos mostrou, através da sua Teoria do Puzzle, que por vezes é uma questão de "visibilidade", ou de encaixe, para nos seguirmos pela alegoria...

"Eu acho que, às vezes, as pessoas são como peças de puzzle, há aquelas que parecem fazer todo o sentido, tentamos colocá-las e percebemos, então, que não encaixam, forçamos um pouco, deforma-mo-las até... Mas não encaixam!
E há peças cujo o significado e beleza só nos são visíveis depois de estarem no seu respectivo lugar, tendo permanecendo até aí completamente indecifráveis (ou mesmo ignoradas) para nós."

Esta imagem do Nuno é, por si só, de uma rara beleza, e creio até, de uma rara "eficácia".


E porque o O'Neill nos fez companhia nessa noite, um poema que o Luís partilhou, também a título de pertinência...:

Hah!

Há a mulher que me ama e eu não amo.
Há as mulheres que me acamam e eu acamo.
Há a mulher que eu amo e não me ama nem acama.

Ah essa mulher!

Tu eras mais feliz,Apollinaire.
montado num obus,voavas à mulher.
Tu foste mais feliz,meu artilheiro.
tiveste amor e guerra.

Eu andei pra marinheiro,
mas pus óculos e fiquei em terra.

Upa garupa na mulher que me acama,
que a outra é contigo,coração que bem queres
sofrer pelas mulheres...

in:De ombro na ombreira,1969

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Life:)


Sometimes when we look around... life goes like this!

Têm-se dado conta?



Ontem no Porto, em pleno evento, no meio de uma conversa, uma rapariga, que não é portuguesa mas vive cá, dispara... sabem que Lisboa é a cidade onde sinto mais controlo com câmaras de vigilância por todo o lado?

E vocês? Têm-se dado conta?

La Bohéme

Um post a 4 mãos hoje! Diabolous in Musicae e Tempus_Fugit :-)

Ás vezes, quando o dia parece correr mal, um telefonema muda tudo...

Tiago liga a Filipe:

T: Oh Julie Andrews, o que é que vais fazer?
F: Oh Judi Garland! Eh pá.. ia ter ensaio, mas foi cancelado.
T: Bom então põe-te a mexer praqui, tou com o Mikael e o Joaquim, e vamos à Tasca do Chico ao Fado Vadio.
F: Jantamos na Casa das Indias?
T: Tá combinado

Acabamos de jantar tarde, e quando chegamos á tasca do chico, essa meca do fado vadio, os estrangeiros e sua pontualidade horrorosa já tinham ocupado todas as cadeiras... Valeram os sorrisos de uma ou outra, e o lugar ao pé do balcão, onde podiamos ser atendidos mais rápido e o Filipe podia assediar a empregada brasileira.

Ponto alto da noite, quando chegam os artistas do fado:
Abordamos o "Viola", que amávelmente elucida 4 alunos da Escola Superior de Música sobre questões técnicas do seu instrumento!
- Vocês já sabem fazer a barra?
:-)
Temos, digamos, uma vaga ideia do que é fazer a barra. Os segundos que se seguiram foram entre o desespero e a explosão de riso... Lá nos aguentámos, com o Joaquim a fazer a pega de caras, e os outros a olharem para outro lado e a respirar fundo...

A descer todos os santos ajudam... Depois do belo Faduncho, seguimos para a proxima estação: Cais do Sodré

Jam session no O'Gilins, com muita estrela internacional, desde raparigas finlandêsas com ares de South Africa até ao nosso novo amigo Abdull Rahim, sem esquecer o Jon Luz ou a rapariga brasileira de afinação duvidosa. Enfim, a globalização em curso! As únicas estrelas que não tocaram fomos mesmo nós, mas fomos um público exemplar!

Já com algumas amizades novas feitas e demasido consumo lá regressamos ao Bairro, onde o Mikael tem os seus aposentos. Fomos tombando á vez, sendo o Filipe o primeiro a saltar do barco.

História do dia seguinte, ou a moral da história:
Filipe dirige-se a muito custo para a sua audição e Tiago para duas aulas de musica de câmara com a fantástica duração de 4 horas... Se estás num certo ramo da música, por mais que gostes, não dá para te armares em Jorge Palma...
É que para nós o filme é mais "Deitar cedo e cedo erguer"
E termino com uma citação do Joaquim "...é uma canseira que nem queira saber!"

Mas de vez em quando lá nos permitimos dar um ar da nossa graça.

Diabolous in Musicae
Tempus_Fugit
Algures em S.Sebastião